terça-feira, 27 de junho de 2017

Analista russo: impeachment de Temer levaria a um caos político no Brasil

Presidente do Brasil foi acusado formalmente de corrupção. Pela primeira vez na história do país, o procurador-geral da República acusou um presidente pelo crime de corrupção. Segundo dados do procurador-geral, Temer recebeu R$ 500 mil de executivos do grupo JBS. Rodrigo Janot denunciou ainda uma promessa de R$ 38 milhões.

A acusação contra Temer só será julgada pelo STF se a Câmara permitir. Pelo menos 342 dos 513 deputados precisam de o aprovar.

Aleksandr Chichin, diretor da Faculdade de Ciências Econômicas e Sociais da Academia de Economia Nacional e Administração Pública russa, compartilhou com serviço russo da Rádio Sputnik sua opinião em relação ao assunto.

O especialista descarta a possibilidade de início de um processo contra o presidente, explicando seu ponto de vista pela incapacidade do procurador-geral obter dois terços dos votos.

"Seria demasiado, mesmo para o Brasil, ter dois impeachments consecutivos, primeiro Dilma Rousseff e agora Michel Temer, operando com essa lógica, os deputados não votarão contra o presidente", afirma Chichin.

É mais do que evidente que o atual parlamento brasileiro é pró-presidente, bem como está claro o caráter corrupto das autoridades brasileiras em geral. Mas as medidas contra a corrupção não podem ser tomadas, sublinha o especialista, porque mais um impeachment levaria a um caos político no Brasil.

Chichin destaca que já toda a história da Petrobras e agora as gravações reveladas pela chefia do JBS são suficientes para convencer mesmo os que ainda não veem as coisas evidentes. Como os políticos estão preocupados com o futuro do país, é apenas por isso que Temer está no poder.

"Acho que o procurador-geral não conseguirá começar o processo, mas do ponto de vista da opinião pública, do ponto de vista da necessidade de tais processos de investigação, é um fator adicional muito importante", opina o analista russo.

Falando dos interesses que tem neste caso o próprio procurador-geral, Aleksandr Chichin frisa que há muitos que querem substituir Temer. Entre as candidaturas possíveis, o analista indica o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, do Partido Trabalhista, que mesmo sem Lula e Dilma aspira ao poder.

"Um dos principais 'motores' de Rodrigo Janot pode ser o prefeito do Rio de Janeiro", pressupõe Chichin, destacando que há muito grupos, além de Crivella, que podem "sacudir" a situação, pois a figura de Temer e muito vulnerável.

Fonte: Sputnik Brasil.

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